As 4 direções e os animais de poder

Nas tradições xamânicas, assim como nas orientais, a religião, a filosofia , e toda a vida gira em torno da idéia da Unidade. De que toda a Criação é um só organismo, totalmente interligado, interagente e interdependente. E absolutamente consciente. Uma grande teia inteligente.
E esta é outra idéia central do Xamanismo (e do Oriente): que toda a Criação é consciente. Os minerais, animais, vegetais, seres humanos (e todos os outros que provavelmente existem), todos os átomos do universo, todos expressam – cada um segundo sua natureza – a mesma eterna Consciência.
Dentro desta perspectiva, podemos dizer que todo o Universo está dentro de nós, que não há nada fora de nós que não tenhamos (ou que não saibamos) e de que realmente necessitemos (até de comida tem gente que já prescinde…).
O que necessitamos é nos (re)lembrarmos de nossa Natureza Real, a Unidade. Nossa coexistência consciente como co-criadores do Universo.
Quando a humanidade criou as Mitologias, seus deuses e símbolos, o que se estava fazendo na verdade, era colocar fora do homem o que ele já tem dentro mas não entra em contato, não desenvolve. Poderes, talentos, qualidades, capacidades, virtudes. Aí criamos personagens-símbolo arquetípicos que vão espelhar para nós o que pensamos que não temos, e que pensamos que pode vir de fora, que pode nos ser dado por alguém.
Quando eu adoro um Deus, ou peço uma qualidade de um Animal de Poder ou de uma Direção, estou na verdade, puxando de dentro de mim mesmo estas mesmas qualidades.
E é claro, como tudo é Um, as mesmas virtudes e qualidades que estão dentro de cada um, estão em todo o Universo e são gerenciadas por energias inteligentes, que na perspectiva do Xamanismo, também são experienciadas como os Animais de Poder.
Na cultura Hindu, estudando-se os Chakras, podemos ver que cada Chakra está relacionado a um animal. E no Hatha Yoga, temos inúmeras Asanas inspiradas em plantas e em animais.
Considerando que toda a criação é Consciência e movimento (ou permanência e impermanência, ou ainda, absoluto e relativo), todas as tradições se ocuparam em compreender e codificar este complexo movimento universal criando diversos sistemas dialéticos, e também em entender e instrumentalizar o uso da energia cósmica, produzindo diversas leituras, métodos e técnicas.
O que vamos focar aqui é o sistema desenvolvido pelas tradições nativas norte-americanas com a sabedoria das 4 Direções e dos Animais de Poder.
A Roda de Cura, fisicamente falando, é uma roda de pedra com os 4 Pontos Cardeais demarcados. Esta formação geométrica tem a capacidade de funcionar – assim como acontece com as pirâmides – captando, concentrando e distribuindo Energia.
Simbolicamente, a Roda de Cura representa a Roda da Vida com seu eterno movimento , fases, significados e simbolismos característicos.

1. Leste: o índio começa contando do Leste (o Oriente), que é de onde vem o Sol, a Luz. O Leste é o início. O início da vida na fase do nascimento e da primeira infância. É a Primavera, o inicio do ciclo das estações. É o elemento Fogo. A cor amarela. O Leste está relacionado ao nível espiritual, e ao princípio masculino.
É a Direção da Águia.
A Águia é o ser vivo que voa mais alto e chega mais perto do Sol (da Luz). A Águia decola de dentro do burburinho dos eventos da vida, e de cima, observa de forma ampla e neutra a panorâmica destes eventos. Sem envolvimento emocional (mas sem negar as emoções) e consciente da transitoriedade deles. E quando mira um objetivo, mergulha nele, absolutamente concentrada, captura a presa e volta para a perspectiva do alto.
A Meditação treina muito bem a mente para este tipo de funcionamento: aprender a observar sem julgar.
O Leste representa o arquétipo do Visionário.

2. Sul: é a Direção da juventude, da alegria, do jogo de cintura, da criança interior. É a Direção do elemento Água, das emoções, dos sentimentos. O Sul está relacionado ao nível emocional. A cor vermelha e também ao Verão, a época da vida em que se está com mais energia, mais calor, mais explosão. O Sul tem como animais principais, o Coiote e o Golfinho. O Coiote é o “divino trapaceiro” sempre pronto a nos dar uma rasteira quando nosso ego infla, é a chamada “ironia do destino”. O Golfinho fala do alegre fluir das emoções (da água), consciente da impermanência da vida.
Representa o arquétipo do Guerreiro.

3.Oeste: é a Direção que se relaciona com o inconsciente, com os processos terapêuticos e a cura, com a Meditação, com os estados transpessoais, com o mergulho interno. É a direção que expressa o princípio feminino. Fala do elemento Terra e do Outono, a fase adulta da vida.
A cor é o negro.
O Oeste está relacionado também ao nível físico da existência, a saúde.
O Animal desta Direção é a Ursa, animal que parte do tempo está na superfície, no mundo externo, e parte do tempo entra na caverna, no silêncio do mundo interno e no contato com as outras dimensões.
Representa o arquétipo do Curador.

4. Norte: é a Direção que tem a ver com os Mestres e com a ancestralidade. Tem a ver com a Sabedoria e com o Conhecimento. É a direção da ultima fase da vida, onde já se tem o que ensinar para as gerações seguintes.
Relaciona-se com o elemento Ar, com o Inverno e com a cor branca.
O Norte também está relacionado ao nível mental.
O Animal do Norte é o Búfalo, com suas quatro patas bem conectadas com a Terra e os chifres conectados com o Céu.
Representa o arquétipo do Mestre.

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